Arte

BIBLIOGRAFIAS VISUAIS e outras

Postado em 16/10/2020

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BIBLIOGRAFIAS VISUAIS e outras aborda, por meio da leitura, possíveis caminhos. Um estímulo, um mergulho entre publicações, como livros e textos, explorando e contribuindo ao imagético, ao conceitual e ao histórico. Passeando por historiadores, filósofos, artistas e livres pensadores, que contribuíram e contribuem ao conhecimento e a vivência dentro do universo artístico.
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A lineralidade na história da arte e a arte após a história


Enquanto invenção ocidental, a História da Arte se constituiu direcionando acontecimentos artísticos. Fundamentada e datada dentro de uma visão eurocêntrica, criou um recorte na produção de imagens junto à escrita histórica em Arte. Dentro de uma relação articulada e enquadrada reciprocamente em seu discurso - que ainda a legitima - conforme suas características. Estas são determinadas pelas condições sociais e culturais em seu contexto histórico, construindo uma apresentação rígida, por muitas vezes, apenas estilística.

A Arte e a História seguem seu caminho, sendo produzidas, bem como a História da Arte, dos estilos e seus modelos, onde, adiante, uma institucionalização da modernidade construiu seu próprio discurso progressista, os chamados Movimentos Artísticos da Modernidade.

Diante de todas as formas históricas que houveram sobre o “pensar o fenômeno da Arte”, de Hegel que, no século XIX, já anunciava a tese do “fim da Arte”, no final do século XX e início do XXI, Hans Belting e Arthur Danto, não procuraram clamar a destruição da Arte ou das práticas artísticas, mas distinguir e estabelecer, no mundo moderno, as mudanças de significados sofridas pelas Artes desde a antiguidade, antes privilegiada, enquanto revelação e manifestação do ideal de verdade. Esses autores debruçam-se sobre o que é o objeto de arte nos tempos atuais, seu conteúdo indeterminado, suas multiplicidades abordadas e pela perda de seu sentido sagrado, linear e progressivo de evolução histórica. Buscam nos apresentar a interrupção da ideia de um modelo artístico, de um único conteúdo, estático e divinamente transcendente, para toda e qualquer forma de Arte.

Em seus enunciados, no termo “fim da arte”, a palavra “fim” carrega sua natureza ambígua, podendo ser término, mas também finalidade, referindo-se ao fim de uma determinada narrativa histórica da Arte, onde, o que chega ao fim é a forma de narrativa e não o tema.

Nesse sentido, não se contrapõe à sua continuidade, mas sim a uma mudança de paradigmas diante de suas estruturas narrativas e regras, desconsiderando conclusões relacionadas aos processos que são vivos, contínuos e transformáveis.
 
BIBLIOGRAFIAS VISUAIS e outras, apresenta duas publicações já consagradas dentro da História da Arte: a HISTÓRIA DA ARTE, de Gombrich e ARTE MODERNA, de Argan e duas que abordam a quebra do sentido linear e de paradigmas do fazer e pensar a História da Arte, que são: O Fim Da História Da Arte, de Hans Belting e Após o Fim da Arte - A Arte Contemporânea e os Limites da História, de Arthur C. Danto. São caminhos que contribuem ao conhecimento e a vivência dentro do universo artístico.




A HISTÓRIA DA ARTE
Ernst H. Gombrich
Editora: LTC
 
Escrita com uma linguagem simples e acessível, A HISTÓRIA DA ARTE, de Gombrich, é uma introdução às Artes Visuais, onde traça uma linha contínua, refletindo sobre as tradições e mudanças ocorridas no passado e presente, nos apresentando algum sentido de ordem compreensível sobre períodos e estilos.

Nada existe realmente a que se possa dar o nome Arte. Existem somente artistas. […] Não prejudica ninguém dar o nome de arte a todas essas atividades, desde que se conserve em mente que tal palavra pode significar coisas muito diversas, em tempos e lugares diferentes, e que Arte com A maiúsculo não existe. (GOMBRICH, p. 15)



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ARTE MODERNA
Giulio Carlo Argan
Editora: Companhia das Letras
 
Buscando as origens da Arte Moderna, Argan analisa os movimentos artísticos desde o Iluminismo até a atualidade, sob uma ótica da descentralização diante de uma arte consciente da necessidade de se desenvolver em novas direções em relação às anteriores.​

... procura o sentido da arte na sua história, mais do que em faculdades inatas ou em princípios absolutos. Foi Argan, aliás, que levou essa orientação até as últimas consequências: se a arte é um fenômeno histórico, não há garantia de que ela seja eterna. O desaparecimento do artesanato, de que a arte era guia e modelo, e o surgimento da produção industrial, que se baseia sobre outros princípios, pode muito bem determinar o fim da arte como atividade culturalmente relevante. Essa tese é o pano de fundo desta Arte Moderna. (Lorenzo Mammì)



O FIM DA HISTÓRIA DA ARTE
Hans Belting 
Editora: Cosac & Naify
 
Para Hans Belting, o fim da História da Arte se coloca como uma “descoberta” de uma antiga estrutura narrativa diante de sua mudança de paradigmas, não negando sua continuidade, mas sim suas antigas regras e modelos de enquadramento, prosseguindo, assim, de outra forma, em constante transformação e sem um pensamento conclusivo.

Como realização cultural, o enquadramento tinha uma importância tão grande quanto a própria arte que ele capturava. Somente o enquadramento fundia em imagem tudo o que ela continha. Somente a história da arte emoldurava a arte legada na imagem em que aprendemos a vê-la. Somente o enquadramento instituía o nexo interno da imagem. Tudo o que nele encontrava lugar era privilegiado como arte, em oposição a tudo o que estava ausente dele, de modo muito semelhante ao museu, onde era reunida e exposta apenas essa arte que já se inserira na história da arte. A era da história da arte coincide com a era do museu (BELTING, p. 25).



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APÓS O FIM DA ARTE - A ARTE CONTEMPORÂNEA E OS LIMITES DA HISTÓRIA
Arthur C. Danto
Editora: Edusp
 
Em Após o fim da Arte - A Arte Contemporânea e os Limites da História, Arthur Danto investiga e nos apresenta uma livre reflexão sobre a Arte, a partir da década de 60 do século XX, fundamentada na tensão entre a Arte e o mundo, sua autonomia diante do ideal do belo, de seus cânones técnicos e históricos.

​​A independência diante da história e o caráter radicalmente livre e reflexivo marcam a arte dos últimos quarenta anos, implicando uma nova relação entre esta e o mundo. A arte possui sua própria filosofia, e suas manifestações, assumindo uma forma plural, se movem num amplo espaço de atuação. Neste livro, Arthur C. Danto apresenta importantes considerações sobre o momento contemporâneo da arte. Chamado por ele de “momento pós-histórico”, este é um momento de profundo pluralismo e total tolerância, em que nada é excluído. Seu texto revela preocupação com o fim do modernismo e mostra o que significa ter prazer com a arte na realidade pós-histórica. Em sua investigação, que se move tanto no plano das ideias como no das realizações artísticas, o autor analisa a atual cena artística mundial perguntando-se como a arte se torna historicamente possível e como ela pode ser pensada criticamente. (Marco Aurélio Werle)






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